As Cronicas do Matador do Rei – Eu Li Errado… E agora?

Você navega nos blogs de livros, acessa grupos de leitores no Facebook e todos estão falando bem de um livro, e isso acaba gerando uma pequena curiosidade.

Você assiste resenhas dos “youtubers” e procura os comentários dos leitores no Skoob, e a vontade de ler vai crescendo cada vez mais.

Até que chega o dia que você não aguenta e acaba comprando o livro, no Submarino, Amazon, tanto faz… O livro chega para você embalado, bonitão, com aquele cheiro que só livro novo tem (tão bom quanto cheiro de carro novo).

Você começa a ler, lê sem parar, as vezes deixa de fazer alguma coisa importante para ler o bendito. E finalmente chega o dia que você vai ler o último capítulo dele, e quando termina pensa: “É isso? Será que é só isso?”.

E a vontade de ler se transforma em frustração. Foi assim que eu fiquei quando terminei o primeiro livro de As Crônicas do Matador do Rei.

A história é ruim?

Definitivamente não. Se você está lendo esse texto, acredito que já tenha lido o livro e talvez até seja fã de carteirinha do Sem-Sangue… mas para quem não sabe, é sobre o dono de uma pousada que está contando a um escritor sua história e como conseguiu títulos como o de Matador do Rei, ele vai contar toda a história em 3 dias, e cada livro da saga é um dia narrado.

Eu tenho alguns pontos que me desagradaram um pouco do livro, o fato do herói que é falado no inicio ser tão grandioso e digno de feitos surpreendentes, até o final do primeiro livro não mostrou nada de mais.

Entendo que ali era o inicio da transformação dele e que está estudando e crescendo com o passar do tempo. Mas eu esperava algo mais grandioso como fazem grandes heróis quando ainda são aprendizes. Como Luke que destruiu a Estrela da Morte sendo um piloto ainda inexperiente.

Ok, Kvothe tem seu mérito em ser um aprendiz de alquimia desde pequenininho, entrar na Arcanum muito jovem e sem um centavo no bolso, tá. Mas nada disso explica toda aquela empolgação e felicidade do escriba ao encontrar o dono da hospedaria (se fosse seguir a lógica, devia ter dado ⅓ de explicação).

E ele matou um “dragão“… Ok, mas 10 capítulos foram perdidos nisso. Ficou cansativo e pesada demais a leitura. Senhor Rothfuss podia fazer um livro spin-off com o título: As Aventuras de Kvothe e Denna Contra um Dragão Pra Lá de Maluco.

Mas, eu li errado… Certeza!

o nome do vento
Eu ainda não tenho o O Temor do Sábio, se alguém quiser me presentear, meu aniversário é em setembro.

Bom, isso é o que repito para mim mesmo de uns meses pra cá. Comecei a ler o livro no final de 2015 e com minha leitura lenta, terminei de ler em abril de 2016. Demorei demais para uns livro de umas 600 páginas, sim.

Mas sabe como eu lia? Eu lia dentro de vagão de trem indo para o pior emprego que eu já tive na vida. Assim que eu chegava na empresa tinha um intervalo de 30 minutos e ao longo do dia tinha mais alguns de 10 minutos, que ao invés de ir socializar com meus “colegas de trabalho” eu ficava em um vão entre os armários e a porta de entrada do setor lendo o livro.

A atmosfera não me ajudava na leitura. Eu não estava em um lugar tranquilo, calmo e que eu me sentia bem para ler. Eu estava rodeado de pessoas que eu não gostava e que frequentemente interrompia minha leitura por qualquer que seja o motivo.

Tudo ali dentro me irritava, desde os gerentes que nos lideravam, até os funcionários idiotas que conversavam sobre sexo como se estivesse falando sobre futebol.

Eu realmente odiava estar ali, e sobretudo eu odiava o fato de eu estar ali apenas porque precisava daquele vale-refeição e um salário mínimo na minha conta no fim do mês (me demiti uns meses depois, mas isso é assunto para talvez um próximo post).

Não cometa o mesmo erro

Não comece uma leitura forçada de um livro. Se tem muitas pessoas falando bem, é porque provavelmente ele seja bom, e as chances de você acabar gostando também são grandes.

Ambiente para leitura deve ser um lugar calmo e tranquilo, sem o incomodo das pessoas, e sobretudo, sua mente deve estar concentrada apenas na história. Não adianta você fazer uma leitura com os olhos no livro mas sua cabeça nos problemas.

Os únicos problemas que precisam estar na sua cabeça nesse período de tempo, são os problemas que o herói está enfrentando.

Para uma experiência ser realmente agradável, sua cabeça deve estar 100% focada nela, seja para ler um livro, ouvir um podcast ou um CD de uma banda, até mesmo navegar na internet. Os escritores dedicam muito tempo das suas vidas escrevendo para que o leitor tenha a melhor experiência possível (menos os escritores youtubers)… Não vamos deixar que o trabalho deles seja em vão, não é mesmo?

Patrick-Rothfuss-Actor-Portrait
Não é o Gandalf quando jovem, é o escritor do livro, Patrick Rothfuss.

Talvez eu volte a ler novamente a história de Kvothe, e prometo não cometer o mesmo erro… Peço perdão pelo vacilo, senhor Patrick Rothfuss.

 

O que você faria se estivesse no meu lugar? Pegaria para ler novamente o livro, ou não? Deixa aqui nos comentários sua resposta.

8 comentários sobre “As Cronicas do Matador do Rei – Eu Li Errado… E agora?

  1. Apenas defendendo meu personagem favorito (então sim, serei fangirl hahaha): o Kvothe na realidade é mais aclamado justamente por coisas que ainda não fez. Como o Cronista pensa/diz no começo do livro, “aquele é o rosto de alguém que matou um anjo”. É muito além dos feitos ~amadores~ do Kvothe ainda na infância ou mesmo um pouco mais jovem. Ele ficou famoso por ser o Matador do Rei, de fato, e por ter matado um anjo – o que quer que isso signifique, seja literal ou não. São duas coisas que ainda não foram apresentadas pra gente, e à exceção de algumas cenas que eu realmente achei maçantes em O Temor do Sábio, amei toda a jornada do Kvothe até então. E ele não tem fama por ter matado nenhum dragão, aliás. Até comenta com o Cronista que leu sobre o livro dele e ficou triste ao descobrir que o draccus era só um lagartão e tal.

    Ademais, seus conselhos são excelentes. Pior coisa nessa vida é começar a ler um livro forçado. Eu me forcei a ler A Roda do Tempo e achei o começo uma das coisas mais entediantes que já vi na vida, tanto que nem consegui ir adiante. Até tentei ler O Nome do Vento forçada, pra falar a verdade. Havia ganhado de presente do meu namorado e ele me pressionou a iniciar a leitura. Abandonei três vezes. Na quarta, quando peguei sem qualquer pretensão de me apaixonar, mas pensando em talvez pular adiante na cena que sempre me travava, a leitura fluiu até o final e O Nome do Vento se tornou o meu livro favorito.

    Espero que um dia possa acontecer o mesmo com você. E, no final das contas, que bom que saiu desse trabalho tão horrível.

    Beijo,
    Celly Nascimento.
    http://www.melivrando.com/

    (Ah, só uma coisinha: é Crônica* do Matador do Rei :D)

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    1. Eu errei o nome do livro … que bom escritor eu sou 😥 kkkk

      Muito obrigado pelo comentário, Celly. Eu realmente quero gostar da história e sim, vou ler de novo em breve.

      Como falei, o problema pra mim foi não encontrar algo que me prenda na história e queira continuar a ler.

      Tenho quase certeza que tinha algo para me prender mas eu passei despercebido por isso.

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  2. Jéssica

    Gostei muito do texto! Parabéns!
    Como “A Crônica do Matador do Rei” é minha série favorita, sou um pouco suspeita, mas realmente acho que você deve reler o livro em um momento mais propício. Não só porque você não teve uma boa primeira impressão dele, mas porque cada vez que relemos esses livros vemos tantas coisas que não havíamos reparado antes que até parecem livros novos. Digo isso por experiência própria e já ouvi o mesmo de vários outros leitores tb. Realmente, no segundo livro acontecem bem mais coisas e, já que estamos mais envolvidos com os personagens, dá para aproveitar melhor tb. Por isso, recomendo muito que você leia, releia e leia outra vez. Cada vez é uma surpresa e sensação diferentes, eu garanto!
    Mas, como você disse, NÂO leia forçado, a experiência não é nada boa mesmo :/

    P.S: Espero mesmo que você esteja em um emprego melhor! 🙂

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    1. Muito obrigado, Jéssica 🙂
      Eu quero ler de novo sim. Eu pensei em começar a ler o livro 2 por pura curiosidade, mas como não gostei tanto vou reler o primeiro livro e partir para o segundo só depois.

      Tô desempregado no momento. Tentando ser um redator freelancer… mas estou feliz por estar me dedicando ao meu podcast e esse blog ^_^

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